terça-feira, 10 de junho de 2025

A história de Werner Rydl: O Homem de R$ 100 Bilhões e Nenhum Cofre


Por trás da paisagem tranquila de Ponta do Mel, um vilarejo cercado pela Caatinga e banhado por um mar de tons esverdeados no interior do Rio Grande do Norte, esconde-se uma história que parece saída de um roteiro de cinema – daqueles em que o protagonista é um bilionário excêntrico que mora numa casa alugada e jura ter toneladas de ouro escondidas no fundo do oceano. Só que aqui, tudo isso é real. Ou quase.

É neste canto afastado do litoral potiguar, onde a pesca ainda sustenta boa parte dos pouco mais de mil moradores, que vive o austríaco naturalizado brasileiro Werner Rydl, de 67 anos. Ele chegou à pacata Ponta do Mel em 2014, trocando o agito europeu por uma casa modesta que aluga por R$ 450 mensais. A rotina é simples, sem ostentação – bem diferente do que se espera de alguém que declarou à Receita Federal uma fortuna de nada menos que R$ 100 bilhões.

Sim, você leu certo: cem bilhões de reais. Se os números forem mesmo verdadeiros, Rydl estaria entre os três brasileiros mais ricos, atrás apenas de Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, e da bilionária Vicky Safra. O detalhe inusitado? A maior parte desse patrimônio viria de 306 toneladas de ouro – mais que o dobro das reservas do Banco Central brasileiro – que, segundo ele, estariam guardadas no mar, a cerca de 90 quilômetros da costa potiguar. Ao ser questionado sobre o local exato, Werner não hesita: aponta o dedo para o horizonte e diz, com serenidade quase mística: “Seagarland.”

O nome pode parecer uma mistura de parque aquático com paraíso submerso, mas trata-se, na cabeça de Rydl, da sede do Seagar Gold Bank, um banco marinho fundado por ele mesmo em 2018, com registro oficial no... fundo do mar.

A história, que parece ter sido escrita por algum roteirista particularmente inspirado, ganhou os holofotes com uma reportagem da revista Piauí, assinada pelo jornalista Allan Abreu. Desde então, a figura de Rydl virou assunto não só entre os moradores de Areia Branca, município ao qual Ponta do Mel pertence, mas também entre autoridades policiais e fiscais.

Werner já enfrentou sete processos no Brasil por movimentações financeiras suspeitas, foi condenado, extraditado para a Áustria, cumpriu pena e voltou ao Brasil, onde continua sendo investigado pela Polícia Federal e pela Receita. Em 2024, chegou a enviar uma carta à Casa Civil oferecendo seus serviços como presidente do Banco Central. O governo, sem surpresa, ignorou a proposta.

Nem todas as investidas do autodeclarado bilionário deram certo. Em uma delas, tentou converter 27 toneladas de ouro em títulos mobiliários via uma casa de câmbio em São Paulo — sem sucesso. Em outra, tentou exportar 120 toneladas do metal para os Estados Unidos, também sem êxito. Para complicar ainda mais sua situação, a Polícia Federal apreendeu 35 quilos de ouro sendo contrabandeados, supostamente comprados dele.

Enquanto o mundo tenta entender se Rydl é um bilionário incompreendido ou apenas um contador de histórias com boa lábia e gosto por cifras astronômicas, ele segue em sua rotina tranquila em Ponta do Mel, ao lado da namorada austríaca, sem ostentar iates ou mansões. Só uma cadeira de plástico na recepção de uma pousada e um olhar fixo no mar.

Afinal, quem precisa de cofres suíços quando se tem Seagarland?


Com informações da revista Piauí e blog do BG 

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